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A Ironia Das Relações Amorosas

Publicado por ibrahim em Abril 26, 2009

Na fase do encantamento acontece uma explosão dentro de nós, por mais que evitemos não paramos de pensar na pessoa amada e este fato está totalmente relacionado à dopamina, que é o neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar.

Buscamos o amor, como buscamos a comida na hora da fome, ou seja, pela necessidade do bem-estar ou saciedade, ou aplacamento de uma necessidade biológica. Portanto, é uma questão de sobrevivência buscar a relação amorosa. Daí, entendermos a grande dificuldade nos rompimentos, nas rejeições e súplicas afetivas.

Fica mais fácil também para entender a tristeza e a raiva que acompanham o final de um relacionamento amoroso. É uma mistura de sensações físicas relacionadas à vida e à morte. O porquê de pessoas aparentemente tão cultas e equilibradas perderem a noção, o senso de realidade e se arriscarem tanto por aparentemente tão pouco. Pessoas que saem de seus pedestais, ou de seus ninhos, indo ao fundo mais fundo do poço. Arriscando tudo pelo prazer de estar com o ente amado.

Só que existem pessoas que carecem tanto deste bem estar, que já estão adoecidas biopsicosocialmente falando, e estas pessoas não mostram sinais de alerta, avisando que estão tão comprometidas pela carência afetiva. Por isto acontecem os crimes passionais, mães de família aparentemente tranquilas abandonando tudo em nome do amor. Como também pais de família ou provedores abandonando tudo em nome do amor. Esta carência é muitíssimo perigosa.

É inquestionável que não podemos matar dentro de nós a busca do parceiro ideal, mas o perigo é enxergarmos o outro com os nossos olhos, sem o cuidado de ver o outro como ele realmente é. Suas reais ansiedades, seu real comprometimento conosco, e sua saúde mental. Por isso, tudo é muito importante o papel da família e dos amigos nas relações.

Felizmente já podemos contar com o MADA (mulheres que amam demais anônimas) grupo de apoio para mulheres que amam demais o outro e não se amam. Mas infelizmente ainda não podemos contar com o HADA (homens que amam demais anônimos) em nossa cidade, grupo que apóia os homens que amam demais. Outro grande benefício é a Lei Maria da Penha para as mulheres. Falta uma lei que proteja os homens das mulheres adoecidas.

Precisamos passar pela depressão que o abandono trás com a ajuda de amigos, familiares, profissionais habilitados, grupos de ajuda, enfim, da forma mais saudável possível. Para desta forma passarmos por todas as fases sem perder a vida, seja ela qual for, muito menos a dignidade.

Lembrando sempre que a famosa frase nada acontece por acaso é muito sábia, e que após o rompimento emergimos do fundo do poço renovados pra o recomeço, seja ele também qual for.

A ironia disso tudo é que nosso organismo estará mais fortalecido para nova busca ou recomeço. Só compete a nós olharmos desta forma sem destruir o outro ou nos autodestruirmos.

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